A dor de não se reconhecer fora dos papéis que ocupa
Muitas mulheres chegam ao consultório sem saber nomear o que sentem. Entenda uma dor comum, silenciosa, e como um processo terapêutico pode trabalhar com ela.


Muitas mulheres dão conta de tudo e, mesmo assim, sentem um estranhamento difícil de explicar. A casa funciona, o trabalho anda, as pessoas próximas contam com elas. Porém, quando sobra um momento de silêncio, aparece uma pergunta que insiste: quem sou eu além do que faço pelos outros?
Desde cedo, muitas mulheres aprendem a se definir pela relação com o outro. Cuidar, atender e corresponder às expectativas viram sinal de valor. Essa forma de existir não nasce de uma escolha individual. Ela é construída por uma cultura inteira que espera disponibilidade feminina. O problema surge quando essa disponibilidade ocupa tanto espaço que não sobra nada que venha de um lugar próprio.
Na Gestalt-terapia, esse movimento pode ser entendido como ajustamento criativo, que é o modo como cada pessoa responde às exigências do ambiente. Corresponder aos papéis esperados foi, por muito tempo, um ajustamento necessário. A dor aparece quando ele deixa de ser uma forma de viver entre outras e passa a ser a única.


Em um processo terapêutico, o trabalho começa por ampliar a consciência sobre o que é escolha e o que é repetição. Essa diferença raramente fica clara logo de início. Ela se revela aos poucos, nas conversas que se repetem semana após semana, até que a mulher consiga ouvir a própria voz com mais nitidez.
A partir daí, aparecem outras dimensões que ficaram de lado: desejos, interesses e projetos adiados, às vezes por anos, sem que a própria mulher percebesse. O cuidado com o outro continua existindo. O que muda é que ele deixa de ser o único critério para medir o próprio valor.
Se você se reconhece nessa pergunta, entre em contato para entender como começar o acompanhamento.


